"Quem me confia em olhos,

               Nas meninas dele vê

                    Que meninas não têm fé."

 

                                   Camões.

               

Ubirajara Sá
"Três âncoras deixou Deus ao homem: o amor da pátria, o amor da liberdade, o amor da verdade."
Textos
Negro Nagô

Meu grito é a minha razão!
Sou NEGRO NAGÔ!
Fui dilacerado sem perdão
Fui amarrado no tronco
Fui chicoteado no lombo
Um mago, um bronco...
Muito comi no tacho
Pelos matos, pelo riacho
Corri, fugi para o quilombo...
Sou negro porque sou!
Preto de verdade!
Que vibrem atabaques e agogô!
Nas entranhas,
Guardo mágoas e dor
Ferido e mudo por crueldade
Fiz da vontade a Lei, a artimanha
A cor é a minha reserva
Minha maior idade é a vida
Corrida, sofrida, superior!
Sou escravo da terra
Que restou!
Aqui eu fui, aqui eu sou...
Senhor! Senhor!
Eu fui Rei, hoje Embaixador...
Meu grito é o meu canto
Canto o que sou:
Preto, escravo, negro ou nagô.
Minha voz é bela...
Minha pátria é distante...
Se às vezes sonho com ela
É porque ainda sinto o seu pranto...


Ubirajara Sá
Enviado por Ubirajara Sá em 15/11/2010
Alterado em 27/12/2011
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     "Oh! Não te espantes não, Dom Antônio, 

     Que se atreva a Bahia

     Com oprimida voz, com plectro esguiu

     Cantar ao mundo teu rico feitio, 

     Que é já velho em Poetas elegantes

     O cair em torpezas semelhantes."

                                                            Poesias Satíricas - G. de Matos.

 

     Uma Canção

 

         "Uma canção ao longe... É um mendigo que está cantando...

                                                  Se esse pobre canta,

                           por que blasfemas, tu que possuis tão

                              doce recordação da vida, amigo?"

                             Cem poemas chineses - Hugo de Castro.