"Se os que me viram já cheia de graça
           Olharem bem de frente para mim,
           Talvez, cheios de dor, digam assim:
           'Já ela é velha! Como o tempo passa!...' "

 
                         (Velhinha - Sonetos de Florbela Espanca)
Magnus Lázaro
"Foi pelo Outono que comecei a arder nas tardes do teu corpo." (João Rui de Souza)
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Um Encontro na Espanha


                                                                           Por Magnus Lázaro
 
 
                Desembarcamos no aeroporto de Madri, depois de seis horas de voo, mas, por causa do fuso horário, aproximadamente, às 11:45h estávamos frente às esteiras a fim de recolhermos os nossos pertences.
            Ora!  Todos sabem, ou quase todos, que na vida nada acontece por acaso; sempre há um motivo para tudo, não é mesmo? Pois, comigo, tenho certeza, que o que ocorreu não foi por pura sorte ou azar (coisas do acaso) foi mesmo uma grata surpresa. Uma satisfação indefinível.
            Como abordei acima, estávamos no aguardo de nossas bagagens, frente à esteira, quando, de repente, olhei para outra esteira ao lado – ainda com dúvidas na qual sairia nossas malas, e avistei aquele moreno hercúleo, pintoso, um autêntico mouro invasor da península ibérica. O homem que faz evoluções e revoluções no carnaval da Bahia! O cara que não tem papa na língua; que diz o que quer e acha certo - sem machucar o semelhante; o cara que luta por sua gente; que dinamiza e expõe a cultura baiana difundindo-a por todos os cantos do País; que mostra a cara do Brasil por onde anda.
            Não, não quero jogar confetes; não desejo enfeitar o pavão para deixá-lo mais bonito do que é! Não preciso puxar o saco do sujeito, mesmo porque não o conheço a fundo; nunca o havia visto de perto; nunca fui íntimo dele! Não, minha gente, não desejo fazer nada disso; mas apenas mostra-lhes como fiquei feliz em, tão distante da minha terra, encontrar um ídolo nacional. Sim! Ele é um ídolo nacional. Quer queiram ou não!
            Falo tudo isso para mostrar como o admiro por sua postura de baiano nato. Por vê-lo, em diversos momentos, em entrevistas, mostrando como e o que faz pelo seu povo. Como é tratado por seus companheiros de música, em todos os cantos. Ou seja, de norte a sul. É por isso que o admiro. Mas também pelo que ele faz na maior festa do planeta, que é o nosso carnaval baiano. O homem pinta e borda: coopera; inventa; convida gente – não quero, aqui, desfazer de outros artistas, que também convidam.
            Deixa-me expor o meu contentamento por encontrar a tal figura! Dizia eu que avistei a figura invasora do continente ibérico e fiquei que nem uma besta. Corri, imediatamente, para junto do gajo e falei (com entusiasmo de minerado quando encontra uma jazida de ouro): Carlinhos! Ele olhou-me como que assustado, ou quem sabe meio ressabiado, e falou: Oba! Tudo bem? Sorridente, simpático, agradável... Um gentleman! Pensei! Poxa! Pensei que o cara era besta... Respondi-lhe indagando: Tudo bem, Carlinhos!? De onde está vindo? Ele respondeu-me que vinha da Inglaterra. Venho de um show! Não me lembro bem se ele citou que tinha alguma coisa a ver com a Rainha. A essas alturas, minha companheira, vendo que eu havia sumido, procurou-me e avistou-me conversando com o Carlinhos Brown. Logo, ela acorreu para o nosso lado e eu fiz sua apresentação junto a ele. Carlinhos, então, nos perguntou para onde iríamos, e nós explicamos-lhe que estávamos indo para Portugal estudar; fazer um curso. Ele, amavelmente, queixou-se de não poder fazer o mesmo, haja vista que o seu tempo era todo tomado pela música. De que, hora estava aqui; hora ali; por conseguinte não podia se dar ao prazer de estudar.
            Aproveitamos para falar-lhe sobre sua participação na festa do Oscar. Citamos sua fala, quando, de dentro do veículo ele disse: estou parecendo um Lorde, ou qualquer coisa parecida. Não me lembro mais! Falamos do orgulho que tínhamos pelo seu trabalho; como alguns baianos se sentiam... Ele estava feliz pelo feito em Hollywood. Falou onde se sentou; como viu a festa... Foi um cavalheiro ao nos atender.
            O que mais posso falar? Nada! Só que ficamos felizes por haver falado com um dos maiores músicos do mundo: o baiano Carlinhos Brown. 
 
 
 
Magnus Lázaro
Enviado por Magnus Lázaro em 17/06/2012
Alterado em 24/09/2015
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                                               O palácio encantado da Ventura!"

                                                         
(O Palácio da Ventura -Antero de Quental)